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Biólogo desenvolve sistema de decompostagem do lixo doméstico orgânico

Felipe de Souza
Diário OnLine
Humos: Luiz Toledo retira o adubo da decomposteira
já pronto para o uso
Felipe de Souza

A questão do acúmulo de lixo é, talvez, o principal assunto a ser debatido. A reciclagem é, antes de mais nada, uma necessidade humana, pois o manejo inadequado dos restos que são produzidos é responsável pelo aumento das doenças, da população de vetores, ratos, moscas, etc, pelo desequilíbrio irreversível do meio ambientes e pela contaminação da água. Do total do lixo urbano, 60% são formados por resíduos orgânicos, restos de comida, por exemplo, que podem facilmente se transformar em excelentes adubos para as plantas.
Foi com estas preocupações que o biólogo e ex-professor da ETPC, Luiz Toledo de Sá, 66 anos, desenvolveu um sistema simples e eficaz de decompostagem do lixo doméstico orgânico.
- Sempre gostei de horta, mas quando morava no bairro Jardim Amália, em 1966, eu tinha muita dificuldade de achar esterco para tratar a terra. Foi quando comecei a decompor meu próprio lixo para conseguir adubo para minha “hortinha” - lembra.
A DECOMPOSTEIRA - É um sistema de decomposição contínua por aeração espontânea, que transforma os restos de alimentos em um adubo natural, utilizando-se do trabalho de bactérias, fungos e minhocas. Todos os animais precisam de água, alimentos e ar para sobreviver. O lixo oferece isto a estes agentes e o ar vem pelo sistema de aeração, principal diferencial do produto criado pelo biólogo.
Mais dois fatos interessantes que ocorrem é a atração das moscas que ali vão depositar seus ovos e logo depois vão embora, não se interessando em entrar no interior de casa; o outro é a não existência de odores desagradáveis próprios do lixo.
- O sistema de decompostagem ensinado nas escolas e universidades é o europeu, não muito aplicável por ser caro. Se gasta muita energia com os equipamentos pesados para revirar o lixo. Também produz mau cheiro e muito calor. Ninguém consegue ficar perto. Neste meu processo não se tem que fazer nada, não dá trabalho algum, é jogar os restos lá dentro e “os bichinhos” fazem o resto do trabalho. Não se preocupa mais com o dia que o caminhão de lixo vai passar - comenta.
A decomposteira doméstica é nada mais que um jarro de barro, com cerca de 1,20m de altura por cerca de 60cm de diâmetro. As paredes laterais desse jarro são perfuradas para permitir a entrada de saída de ar. Pela boca do jarro é depositado o lixo produzido no dia-a-dia, assim como também papel, papelão e as folhas do jardim. Após o processo, o que leva cerca de 15 dias, o material decomposto desce em forma de humos, adubo orgânico, pode ainda ser peneirado e as partes ainda maiores voltam para cima, retomando todo o processo.
Decompor o lixo orgânico doméstico adequadamente é uma forma fácil e eficaz para reduzir a contaminação do solo e das águas, diminuindo a incidência de chorume nos lixões e evitar a utilização de adubos químicos na fertilização da terra para plantio.

O adubo químico

Na prática da agricultura, no manejo do solo e das plantas, a terra deve ser encarada como um sistema complexo onde devem viver em equilíbrio um número incalculável de microscópicos seres animais e vegetais, que garantem a perfeita fertilidade do solo e a sanidade das plantas.
Um dos motivos pelos quais os adubos químicos podem poluir o Meio Ambiente, é porque alguns deles são hidrossolúveis, isto é, dissolvem-se na água, fato que acarreta três conseqüências:
1. Uma parte é rapidamente absorvida pelas raízes das plantas fazendo com que suas membranas celulares fiquem mais finas e que aumente muito seu teor de água. Conseqüentemente as plantas ficam mais suscetíveis a pragas e doenças, além de menos saborosas e com seu teor nutritivo empobrecido.
2. Outra parte (muitas vezes a maior parte) é lixiviada, ou seja, é lavada pelas águas das chuvas, indo poluir rios, lagos e lençóis freáticos, causando juntamente com os despejos de esgotos, a eutrofização dos corpos aquáticos - que é a morte de um rio ou lago por asfixia, pois os excessivos nutrientes além de estimularem um crescimento excessivo das algas, roubam o oxigênio da água.
3. Há ainda uma terceira parte que se evapora, como no caso dos adubos nitrogenados (como o sulfato de amônio) que sob a forma de óxido nitroso pode destruir a camada de ozônio da atmosfera.
Vários tipos de fertilizantes químicos, geralmente os mais usados, deixam o solo ácido, além de serem biocidas (destruidores da microvida do solo). A utilização dos adubos químicos, dos defensivos agrícolas e das sementes híbridas forma um círculo vicioso, interessante apenas para as multinacionais da agroindústria. As sementes ditas melhoradas necessitam de mais adubação para se desenvolverem. A utilização do adubo torna as plantas mais fracas e mais suscetíveis ao ataque de pragas e doenças. E se tem que utilizar cada vez mais adubos e defensivos para manter o nível desejável de produção.

Informações do site: (http://membro.intermega.com.br/ambienteonline/index.html).
www.uenf.br/uenf/centros/cct/qambiental/so_adubos.html


O que é o chorume

O chorume é um líquido escuro gerado pela degradação dos resíduos do lixo em aterros sanitários. Ele contém alta carga poluidora, por isso, deve ser tratado adequadamente.
O impacto produzido pelo chorume sobre o meio ambiente está diretamente relacionado com sua fase de decomposição. O chorume de aterro, quando recebe boa quantidade de águas da chuva é caracterizado por pH ácido, alta Demanda Química e Bioquímica de Oxigênio e diversos compostos potencialmente tóxicos. Com o passar dos anos há uma redução significativa da biodegradabilidade devido à conversão, em gás metano e CO2, de parte dos componentes biodegradáveis.
Deve-se ressaltar que a composição físico-química do chorume é extremamente variável dependendo de vários fatores que vão desde as condições ambientais locais, tempo de disposição, forma de operação do aterro e até características do próprio despejo. O chorume pode conter altas concentrações de sólidos suspensos, metais pesados, compostos orgânicos originados da degradação de substâncias que facilmente são metabolizadas como carboidratos, proteínas e gorduras.
Por apresentar substâncias altamente solúveis, o chorume pode contaminar as águas do subsolo nas proximidades do aterro. A presença do chorume em águas subterrâneas pode ter conseqüências extremamente sérias para o meio ambiente e para a saúde pública por apresentar compostos altamente tóxicos. Devido à movimentação dos lençóis o chorume pode dispersar-se e atingir poços artesianos.

Mais informações do site: www.ceset.unicamp.br/lte/Artigos/3fec2402.pdf

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felipedesouza@diarioon.com.br

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