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‘Ídolos’ aposta em nova Sandy

Público se rende ao apelo comercial de Thaeme Mariotô
e deixa a voz poderosa de Shirley Carvalho no vácuo
Divulgação
Diário OnLine
Cláudio Alcântara

Thaeme Mariotô tem 21 anos. Shirley Carvalho, 30. A mocinha com cara de Sandy (aquela que fazia dupla com o irmão Júnior) venceu a segunda edição de “Ídolos”, no SBT, mas não tem metade da voz da ex-caloura do Raul Gil. Pois é, o mercado fonográfico é cruel, sempre foi, sempre será. Poucos artistas conseguem envelhecer e se manter na mídia. Shirley tem apenas 30 e já é considerada velha. Pelo menos para a maioria do público do “reality show” da emissora do Homem do Baú. Mas a trintona não pode ser considerada uma perdedora, embora tenha levado “bomba” em duas boas chances em sua vida. Afinal, Thaeme obteve 53% dos votos. Muito adolescente votando. Sim, porque quem perde tempo, e dinheiro, enviando torpedos para programa de tevê são os jovens. Portanto, não foi surpresa que os meninos e meninas com aparelho nos dentes e espinha na cara tenham escolhido uma nova Sandy para “Ídolos”.

Não estou dizendo com isso que Thaeme não tenha um mínimo de talento. Ela surpreendeu em cinco meses de programa. A paranaense derrotou 15 mil candidatos e se safou da berlinda, ou paredão, por duas vezes. Como prêmio por isso vai gravar um CD pela Sony BMG, faturou um carro 0 KM e levou de lambuja um “manager” para administrar sua carreira. Sei não, mas se o tal “manager” fizer com ela o mesmo que aprontaram com o vencedor da primeira edição, Leandro Lopes, ela tá no sal. O rapaz não emplacou no mercado, vendendo modestas 40 mil cópias de seu primeiro disco. Para tentar não repetir o fiasco, a música de trabalho da moça é “Rotina”, que ela já apresentou a seus fãs adolescentes.

Mesmo considerada “azarão”, a menina vai obrigar Shirley Carvalho a começar do zero mais uma vez. Shirley deve ser mesmo uma batalhadora, porque não é fácil ficar semanas e mais semanas num programa, como ela fez quando estava no Raul Gil, e acabar com as mãos abanando. Pior agora, que a história se repetiu.

Shirley merecia a vitória. Conseguiu domar sua obsessão em ser a Whitney Houston tupiniquim, deixou de lado sua vocação brega e abandonou os exageros vocais. Mas Shirley tem 30 anos, e como não é a Madonna (49!) não tem como competir, e vencer as mocinhas do mercado fonográfico. Infelizmente.

O formato do “Ídolos” é cruel, mas o programa é bem legal. A primeira fase é divertidíssima, quando os jurados Carlos Eduardo Miranda, Thomas Roth, Arnaldo Saccomani e Cynthia Zamorano, a Cyz, roubam a cena. A coisa toda começou com o britânico “Pop Idol”, em 2001, e rapidamente se tornou um fenômeno da televisão, quando se espalhou pelo mundo e foi produzido em mais de 35 países. A intenção, como o próprio nome já diz, é encontrar alguém que saiba cantar e sonha com a carreira musical.

Mais famoso que o “Pop Idol” é o “American Idol” (EUA), que já está em sua sexta temporada e lançou cantores de gosto duvidoso, como Kelly Clarkson (dona de uma voz poderosa que vende milhões de CDs mas não tem personalidade musical), Ruben Studdard, Fantasia, Carrie Underwood e Taylor Hicks.

Em terras brasileiras, o programa faz relativo sucesso de audiência mas arrebenta nos ganhos comerciais, o que já fez com que o SBT anunciasse a terceira temporada de “Ídolos”.

Na segunda edição, que terminou quinta-feira, devido à grande procura, as inscrições foram restritas a 15 mil pessoas - três mil em cada uma das cidades de Florianópolis, Belo Horizonte, Salvador, Belém e Campinas. Uma das exigências para participar é ter entre 18 e 30 anos. Ou seja, Shirley já era.

Mau sinal para Thaeme: a final teve participação do cantor Jon Secada. Alguém se lembra dele?

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