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Estado paralelo
Ator é morto por violar toque de recolher

Com arsenal mais pesado, traficantes da ADA impõem
toque de recolher nas ruas Acaú e Acare comandadas pelo CV

Rio

Acostumado a cenas de ação, o ator-dublê Cláudio Luciano da Silva, 33, não escapou da violência real. Foi morto na quarta-feira no acesso ao morro São João, no Engenho Novo, zona norte do Rio, por não respeitar o toque de recolher imposto por traficantes da favela vizinha, do morro dos Macacos. Silva tinha como destino a casa da ex-mulher, identificada como Thelma, onde buscaria o uniforme escolar do filho mais velho, de 9 anos. Passava pela Rua Acaú por volta das 6h30 quando foi abordado por três traficantes do morro dos Macacos. Segundo moradores, eles queriam seqüestrar o ator.
De acordo com a polícia, o ator ainda tentou dizer que era “trabalhador”. Após socar o rosto de um dos homens e tentar fugir, foi baleado por um tiro de fuzil na perna. Caído, foi atingido por mais cinco tiros. Seu corpo ficou sete horas estirado na calçada sob um pano branco aguardando a remoção. Agentes do 3º Batalhão da Polícia Militar (Méier) foram ao local, mas não subiram a favela. No alto do morro São João, traficantes andavam com pistolas na mão. Por rádio, diziam que não eram responsáveis pela morte do ator. Temiam uma operação no local.
Os morros São João e dos Macacos - onde o comércio de drogas está, respectivamente, sob controle das facções Comando Vermelho e ADA (Amigos dos Amigos) - estão em guerra constante. Com um arsenal mais pesado, os traficantes da ADA impõem toque de recolher nas ruas Acaú e Açaré, que ficam entre as duas comunidades: entre 19h e 8h, a circulação é restrita. Por duas razões: evitar o contra-ataque da facção inimiga e intimidar moradores para “desmoralizar” os criminosos da facção rival em “seu próprio território”, como afirmam.
Há três meses, uma mulher moradora do São João, foi seqüestrada e morta no alto dos morro dos Macacos. Foi nesta favela em que a menina Alana Ezequiel, 12, foi morta por uma bala perdida durante uma operação policial. “Como ele era muito conhecido na região, achou que não tinha problema em passar ali”, disse Jorge Só, que trabalhava com Silva.
Silva foi criado no morro São João, na mesma vila em que cresceu o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Ubiratan Angelo, na Rua Açaré: um conjunto de quatro apartamentos com marcas de tiros. O policial era amigo do pai da vítima. No local, moradores têm códigos para indicar aos traficantes do morro São João que quem está trafegando na rua no horário restrito vive ali. A pé, usam a pista de paralelepípedo. De carro, piscam o farol ao se aproximarem.
Há 15 anos, Silva entrou na agência Só Ação e fez o curso de ator-dublê. Prestava serviço atualmente para a TV Record, na novela “Caminhos do Coração”. Trabalhou na TV Globo como dublê e ator no programa “Linha direta”. Deixou dois filhos, de dois e nove anos, e a mulher, Fernanda.


Tiroteio entre policiais e traficantes deixa 2 mortos

Dois homens morreram durante trocas de tiros entre policiais militares e traficantes da Vila Cruzeiro, no complexo do Alemão (zona norte do Rio).
De acordo com o coronel Marcus Jardim, comandante do 16º batalhão, responsável pelo policiamento da área, a Polícia Militar realizava uma operação de rotina de combate ao tráfico e foi recebida a tiros por criminosos da região.
Ao menos 30 homens da PM participaram na ação, que apreendeu uma metralhadora, uma pistola, 108 invólucros de cocaína e 500 gramas de uma pasta branca. O coronel disse acreditar que a pasta é usada para refinar cocaína. A operação ocorreu entre as 10h e 15h de ontem. Os homens mortos, ainda não identificados, teriam participado do tiroteio contra a PM, segundo o coronel.


Cabral sanciona lei para divulgar corregedoria

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB) sancionou ontem a lei que determina que os telefones e endereços das Ouvidorias e Corregedorias das Polícias Civil e Militar do Estado, sejam estampados em carros e postos de atendimento das corporações.
A lei, de autoria do deputado Pedro Paulo (PSDB), determina que as informações fiquem expostas em lugares que facilitem a visualização de forma legível.
“Este mecanismo de controle social contribui para aumentar a eficiência do trabalho da polícia e coibir arbitrariedades. Nosso objetivo é dar mais visibilidade a um serviço que já existe e que pode auxiliar muitas pessoas no Estado na medida em que elas passam a conhecê-lo e utilizá-lo”, disse o deputado.
A lei entrou em vigor ontem, data de sua publicação, de acordo com o texto. A reportagem entrou em contato com a SSP (Secretaria de Segurança Pública) para questionar sobre a colocação dos adesivos com telefones nos carros e postos, no entanto, a assessoria de imprensa do órgão informou que ainda não há um posicionamento sobre a determinação.

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