Estado paralelo
Ator é morto por violar toque de recolher

Bebê jogada em rio em Contagem não responde mais a estímulos

Pesquisa Mind
DIÁRIO faz 15 anos na liderança

Controle Aéreo
Jobim diz que ameaça de novo acidente aéreo é jogo político

Justiça cassou 623 mandatos desde 2000, mostra pesquisa

PMDB afasta Simon e Vasconcelos da CCJ

Produção cresce 1,3% e supera expectativas

Visite o Diário em
tempo real
para ler
as últimas notícias

PMDB afasta Simon e Vasconcelos da CCJ

Para substituí-los, foram indicados dois integrantes
da chamada tropa de choque de Renan: Almeida Lima e Paulo Duque

ABr
Diário OnLine
Fora da briga: Pedro Simon é tido como um parlamentar
independente de grupos políticos no Senado Federal

Brasília

Em nova manobra com o apoio da bancada do PMDB, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), derrubou ontem seus adversários da Comissão de Constituição e Justiça e emplacou seu aliado Almeida Lima (PMDB-SE) para tocar o processo no Conselho de Ética que envolve a cúpula do partido. A articulação acirrou a crise com a oposição.
Renan ainda costurou com o presidente do conselho, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), para deixar vaga, pelo menos até terça-feira, a escolha do relator do processo que trata do uso de “laranjas” na compra de rádios em Alagoas. Eles procuram um “nome de confiança”. De toda a manobra, o que provocou maior impacto na Casa foi a retirada dos senadores Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Pedro Simon (PMDB-RS) da CCJ, considerada a comissão mais importante da Casa.
Para substituí-los, foram indicados dois integrantes do grupo de Renan: Almeida Lima (PMDB-SE) e Paulo Duque (PMDB-RJ), que é suplente do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). Foi Jarbas quem redigiu o relatório do projeto aprovado ontem que determina o afastamento de cargos no Senado para quem enfrentar processo de cassação. Na sessão da CCJ, ele chegou a bater boca com Wellington Salgado (PMDB-MG), aliado de Renan. Jarbas defende a saída de Renan do cargo. “Não é o líder do PMDB que está fazendo isso, é o Renan Calheiros”, disse Jarbas.
Simon respaldou o projeto na CCJ e foi um dos primeiros senadores a pedir publicamente que Renan se licenciasse. Ele integra a CCJ há 24 anos. “Passei pela ditadura sem ter tido uma violência como essa. Quem mandou foi Renan e Sarney porque o líder [do partido] é um estafeta deles”, afirmou.
O líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), disse que a decisão foi da bancada. “Como líder tenho que fazer as mudanças onde temos problemas”. Houve reação imediata em diversos partidos. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) sugeriu uma renúncia coletiva das comissões. “Na semana passada deram um tapa na cara do Brasil, hoje deram o golpe e amanhã vão cuspir na gente”. “A estranheza é maior porque tal procedimento não está em harmonia com a tradição da Casa”, disse o presidente da CCJ Marco Maciel (DEM-PE).


Oposição diz que operação tem a digital de Renan

Segundo a oposição, a digital de Renan na operação ficou evidente porque quando o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) anunciou que encerraria a sessão, a secretária-geral da Mesa, Cláudia Lyra, pediu que ele aguardasse porque um requerimento estava a caminho para ser lido no plenário. Cláudia é subordinada a Renan.
“Isso desfigura o partido. Acho que está armado mais um cabo-de-guerra no Senado”, afirmou o líder do DEM, José Agripino (RN). “É uma aberração, o Senado está indo para o desvão. Essa coisa não vai acabar bem. Imagine como será a próxima sessão da CCJ?”, disse o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).
Renan se reuniu com Quintanilha e pediu que Almeida Lima ficasse com a relatoria do processo que acusa ele e outros integrantes da cúpula do partido de participar de um esquema de desvio de recursos de ministérios. A avaliação é que seria “perigoso” permitir que um senador independente vasculhasse o partido.
Além disso, o ex-advogado de Renan, Eduardo Ferrão, o alertou que esse caso tem potencial para culminar em complicação criminal.
“Ele é o presidente da Casa, e eu do Conselho de Ética, é natural que haja comentário. Ele não tem se intrometido”, disse Quintanilha. Em entrevista, antes do anúncio da manobra, Renan disse: “Estamos com Deus e Deus mais do que nunca vai nos proteger nesta hora”. Ontem, o senador João Vicente Claudino (PTB-PI) recusou aceitar a relatoria.

< Alto >


© Empresa Jornalística Diário do Vale Ltda. Todos os direitos reservados