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Política de Saia Parafraseando o filme, estou “a espera de um milagre!”
Mirian Masteesouz
Não adianta querer fazer milagres. Para se ter uma boa polícia, várias coisas precisam ser repensadas e postas em prática. Destes trilhões de reais tirados, a fórceps, da população, a título de impostos, pelos governos em todas as suas esferas, nos últimos anos, praticamente nada de novo foi colocado nas três coisas mais importantes para o desenvolvimento e o custeio do bom nível de vida da população, que são a educação, a segurança pública e a saúde.
Como já falei de educação e saúde nesta coluna, o tema escolhido hoje é a nossa segurança pública.
A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, como todas as instituições no mundo inteiro, tem os seus defeitos, desde que nada é perfeito, mas para quem não conhece, é bom saber que, na PMERJ encontramos extraordinários militares. A grande maioria merece o respeito da sociedade e mais ainda dos governantes, que precisam mudar suas cabeças e voltarem-se, todos, para uma mudança profunda na segurança pública. A começar pela INFRA-ESTRUTURA.
É lamentável a falta de infra-estrutura em todas as esferas policiais. Faltam banco de dados - bem diferente daqueles que vivenciamos em filmes policiais estrangeiros, quando a informática apresenta um perfil bem delineado de cada cidadão, facilitando, substancialmente, a pesquisa que redundará na solução dos casos policiais. Não existe hoje, sequer, estrutura de comunicação telefônica. No aspecto tecnológico, praticamente falta tudo. O policial tem que ser um super dotado para, em primeiro lugar vencer a todas essas deficiências e depois dar de cara com o bandido para cumprir a sua função. Infra-estruturalmente falta muita coisa, mas pelo menos algo poderia ser feito para melhorar, pelo menos, a qualidade de vida do policial no que diz respeito ao seu salário. Uma vez que SALÁRIO É DIGNIDADE.
Não se pode exigir de qualquer cidadão uma dedicação total, no cumprimento de suas obrigações de trabalho, se não se dá a ele a dignidade de um salário. A polícia militar ganha mal, não recebe os treinamentos necessários a quem exerce uma função tão nobre e importante para a sociedade, além do que geralmente mora em periferia e tem uma qualidade de vida que o coloca muito próximo da tênue linha que o separa do bem e do mal. É bem verdade que a linha do bem tem que ser a verdadeira postura de um policial, mas a verdade é que não se pode perder de vista que isto pode se tornar frágil, no momento em que, ao chegar em casa, este cidadão vê sua família passar necessidades. E como já escrevi que SALÁRIO É DIGNIDADE, para se manter com dignidade, muitos policiais usam o “bico” para viver condignamente. Este “bico”, que não é outra coisa senão um outro emprego, geralmente na segurança privada. Seu tempo deveria ser integralmente dedicado à defesa da instituição e da sociedade, mas para isto teria que ter no seu contra-cheque um valor líquido que pudesse lhe dar condições de viver com boa qualidade de vida junto a seus. Devemos lembrar que o policial é antes de tudo um ser humano com erros e acertos, como qualquer mortal, mas ser um bom policial é, fundamentalmente, um sacerdócio, que enfrenta a morte no seu dia-a-dia e, às vezes, tem como recompensa a generalização banal de uma imagem de truculência, abuso de autoridade e desonestidade apresentadas por uns poucos integrantes da instituição. Graças a Deus a grande maioria merece o nosso respeito. Os NÚMEROS NÃO MENTEM e um soldado engajado ganha bruto R$ 857,00. Como querer que este cidadão possa se preocupar com alguma coisa, se ele não pára de se preocupar com o que levar para casa, todos os dias? E olha que eu esqueci de falar sobre uma gratificação linear para todos os níveis de R$ 230,00 quando executam serviço externo.
Necessário se torna uma profunda reflexão por parte dos governantes e da sociedade, que a partir de agora fica sabendo o quanto ganha um soldado. O que se pode exigir de uma tropa - o contingente de soldados e cabos são a grande maioria - que ganha um salário indigno da função que exerce? Ora, se em sua grande maioria a PMERJ honra a instituição que representa, fica claro que estes homens, embora com a indignidade que observa todos os meses nos seus contras cheques, jamais deixaram que suas mentes, atos e ações viessem a ser corrompidas. Algo tem que ser feito. Um plano de cargos e salários tem que ser concebido para salvar esta categoria, bem como dotar todo o sistema policial de uma infra-estrutura capaz de ajudá-los a defender a sociedade, até mesmo com armas mais sofisticadas, já que os bandidos as usam de última geração.
Em qualquer país desenvolvido do mundo, a polícia é bem remunerada. Há de se atentar para um dado não muito saudável até de comentar, mas que ninguém pode fugir à dura realidade. O policial vive, por sua própria atividade, bem próximo ao crime e por ele pode ser fustigado, induzido e “sondado”. Este é o mundo. As corrupções, hoje, enchem os noticiários do planeta e especialmente no Brasil quando, diariamente, quer na imprensa falada, escrita ou televisada, um dia sequer, passa sem a notícia de uma importante figura flagrada na corrupção. Por isto mesmo, se quisermos dignidade, trabalho árduo e duro na defesa da sociedade, temos que exigir que nossos dirigentes dêem aos que fazem a segurança pública do Estado, um salário digno e capaz de fazê-los orgulhosos diante de seus familiares, ratificando o que existe na grande maioria deles: retidão de caráter.
Minha gente, que as exceções sejam punidas com os rigores da lei e que estes homens de bem recebam das autoridades um exemplo no trato com a sua segurança pública. O povo ganhará e saberá dar o retorno.
politicadesaia@diarioon.com.br
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