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Saúde Cuidados com a intoxicação infantil
Segundo recente pesquisa do Sinitox, referente a 2005, quase 90 mil pessoas se intoxicaram naquele ano Ilustração AFP

A cada ano, milhares de crianças do Brasil são vítimas de intoxicação acidental por substâncias perigosas, às quais têm acesso em suas próprias casas. Segundo a mais recente pesquisa do Sinitox (Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas) da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) sobre o tema, referente a 2005, quase 90 mil pessoas se intoxicaram naquele ano. Delas, aproximadamente 19 mil tinham até cinco anos. Nessa faixa etária, o maior vilão foram os medicamentos, responsáveis por 35,1% dos casos, seguidos pelos produtos de limpeza (18%).
‘O descuido dos pais é o maior motivo desses acidentes. Muitas vezes, substâncias perigosas ficam ao alcance das crianças pequenas, que costumam pôr tudo o que encontram na boca. É necessário se preocupar com o aspecto preventivo’, alerta Rosany Bochner, coordenadora do Sinitox e especialista em saúde pública. De acordo com a especialista, os números da pesquisa devem ser ainda maiores, já que falta contabilizar dados de outros centros de atendimento a intoxicações do país.
Para Rosany, a principal forma de prevenção é deixar os agentes tóxicos longe do alcance e da vista dos pequenos, em áreas trancadas e altas. Ela também defende o uso de embalagens adaptadas à curiosidade infantil.
‘Tampas com mecanismos especiais, disponíveis nos Estados Unidos e na Europa, dificultam a abertura de embalagens por crianças e deveriam ser adotadas aqui. Além disso, é preciso reduzir o número de medicamentos em casa. O brasileiro compra muito remédio de que não precisa, aumentando os riscos’, declara Rosany.
Para a especialista, a compra fracionada de remédios, que já está em vigência no país, ajuda a racionalizar o seu uso e limita a quantidade de produtos vencidos nas residências, que são perigosos.
Todo o cuidado é pouco. Remédios infantis, que são coloridos e têm sabor, são mais bem recebidos pelas crianças, mas também podem ser confundidos com uma guloseima. ‘Ao dar um determinado medicamento, os pais devem evitar dizer aos filhos que é docinho e colorido. É importante explicar que aquilo serve para tratar uma doença, que pode ser perigoso e que não deve ser consumido sem a supervisão de um adulto’, recomenda a farmacêutica Edna Maria Hernandez.
Muita conversa para matar a curiosidade
A bancária Andréa Hilário, 35 anos, procura deixar medicamentos e produtos de limpeza longe do alcance do filho Pedro Hilário, quatro anos. Além desses cuidados, ela conversa muito para lidar com a natural curiosidade da criança e evitar acidentes. ‘Não adianta só esconder, tem de explicar. As coisas proibidas atraem os mais pequenos, que buscam experimentar tudo o que chama a sua atenção’, afirma Andréa.
‘Recentemente, minha mãe comprou um desinfetante roxo na rua, desses sem marca, envasados em garrafas de refrigerante. O Pedro viu e já ficou curioso. Expliquei que não era para beber, que servia para limpar e podia fazer mal.’
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