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Ciência Armagedon no planeta Marte
Divulgação
 Impacto: Asteróide, descoberto pela equipe de pesquisa do céu da Universidade do Arizona, pode colidir com Marte Jorge Luiz Calife
Um novo asteróide, descoberto pela equipe de pesquisa do céu da Universidade do Arizona, pode colidir com o planeta Marte no dia 30 de janeiro. O astro rochoso é pequeno, e seu tamanho foi estimado como sendo em torno dos 50 metros. Mas ele viaja a uma velocidade de dez quilômetros por segundo, 15 vezes mais rápido do que uma bala de fuzil e deve produzir uma explosão semelhante à de uma bomba nuclear, escavando uma cratera de um quilômetro de largura na superfície do Planeta Vermelho.
A astrônoma Andréa Boatinni, que descobriu o asteróide usando o telescópio do Observatório de Monte Lemmon, nas montanhas de Santa Catalina, ao norte de Tucson, no Arizona, diz que existe uma chance em 75 do asteróide colidir com Marte.
Mas as probabilidades podem aumentar à medida que trajetória do novo astro é recalculada pelos astrônomos. Se o impacto acontecer, ele poderá ser assistido pela televisão, graças às câmeras da sonda espacial Orbitador de Reconhecimento de Marte. A queda também poderá ser vista pelas câmeras do robô Oportunity, que se encontra no hemisfério norte do planeta, em uma região próxima do impacto.
O asteróide é semelhante ao que escavou a cratera do Meteoro no Arizona, há 50 mil anos. Também tem sido comparado ao objeto que explodiu sobre a região de Tunguska, na Sibéria, em 1908, devastando 60 quilômetros quadrados de floresta com a potência de uma bomba de três megatons. Em 1994, um cometa colidiu com o planeta Júpiter abrindo um buraco do tamanho do planeta Terra na camada de nuvens do planeta gigante.
Esses impactos levaram os astrônomos a iniciar um mapeamento do céu, em busca de corpos perigosos que cruzam a órbita do nosso planeta e poderiam representar perigo para a Terra no futuro. Uma dessas pesquisas em andamento é a do Observatório de Monte Lemmon, que descobriu o novo asteróide, batizado com a sigla 2007 WD5. Quando foi detectado pelo telescópio ele tinha um brilho de vigésima magnitude, ou seja, 400 mil vezes mais fraco que a estrela mais apagada que podemos ver a olho nu no céu. Observações feitas pelo Escritório de Objetos Rasantes à Terra, do Laboratório de Propulsão a Jato de Pasadena, na Califórnia, indicam que a aproximação máxima do 2007 WD5 com Marte vai acontecer no dia 30 de janeiro. Há duas possibilidades, ou o pequeno astro vai passar a 30 mil quilômetros do Planeta Vermelho ou vai colidir com ele. Novos cálculos devem diminuir essa incerteza dentro das próximas semanas.
PÂNICO - Se a aproximação fosse com a Terra, e não com Marte, haveria um pânico mundial. O impacto de um astro como o 2007 WD5 pode arrasar uma cidade ou provocar um tsunami se cair no mar. Acredita-se que a extinção dos dinossauros, há 75 milhões de anos, foi provocada por um asteróide com vários quilômetros de largura, que caiu na região do Golfo do México. O 2007 WD5 não é tão grande quanto o “matador de dinossauros” mas poderia matar milhões de pessoas se caísse em uma região densamente povoada, como a China ou o norte da Europa.
Esta ameaça inspirou muitos filmes, como “Armagedon”, com Bruce Willis, e “Impacto Profundo”, produzido pelo Steven Spielberg. As agências espaciais da Europa e dos EUA têm realizado estudos com o objetivo de localizar os asteróides e cometas perigosos e desenvolver meios de desviá-los. Uma dessas pesquisas foi o envio da sonda Deep Impact, que colidiu com o cometa West, analisando sua composição. No caso de um asteróide em curso de colisão com a Terra seria preciso usar explosivos nucleares para desviá-lo de sua trajetória.
Missão de defesa
Atualmente ninguém sabe quando um impacto assim poderá ocorrer. O 2007 WD5 foi descoberto alguns meses antes de sua possível colisão com Marte. E o cometa Shoemaker-Levi 9, que colidiu com Júpiter em 1994, também foi detectado um ano antes do impacto, o que daria muito pouco tempo para uma missão de defesa, no caso de uma colisão com a Terra. O ideal seria determinar a trajetória do objeto assassino com uns cinco anos de antecedência, no mínimo, para que uma missão espacial pudesse ser organizada para desviá-lo.
Na vida real é pouco provável que uma missão desse tipo fosse tripulada por astronautas como acontece nos filmes. Seria muito mais prático e seguro fazer tudo com mísseis dirigidos por controle remoto ou computador.
Daí as pesquisas da Nasa, que já conseguiram pousar com a sonda Near na superfície do asteróide Eros. No ano de 2015 outra sonda, a Rosetta da Agência Espacial Européia, deve colocar um robô na superfície escura de um cometa. São ensaios para o dia em que for preciso explodir um asteróide ou núcleo cometário em curso de colisão com a Terra. (JLC) |
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