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Entre a fantasia e o mundo real
Acadêmico de VR publica produção independente ‘Onde Dragões Voam’, que defende postura nacionalista embutida num contexto simbólico Divulgação
 Obra: Livro tem 74 páginas e custa R$ 12,00 Divulgação
 Simbolismos: Metodologia foi aplicada como modo de atrair o leitor para a realidade do País Mariana Torres
Uma aventura medieval nos moldes da saga de “O Senhor dos Anéis”, um mundo fantástico em que transitam seres mitológicos e dragões voam. Entre tantas estratégias utilizadas para convencer o leitor, o simbolismo foi a principal “arma” encontrada pelo aluno do 2° período da faculdade de Administração de Empresas, em Volta Redonda, Thiago Nardini Moura, para tratar de questões que norteiam o mundo real. “Onde Dragões Voam”, a primeira produção de Thiago, e de caráter independente, transpõe em 74 páginas idéias e comportamentos que demonstram uma postura nacionalista, de valorização da cultura.
E, embora a metodologia adotada para a construção da história seja inspirada no escritor inglês J.R.R. Tolkien, a temática envolve personagens do folclore brasileiro, adaptadas e inseridas em outros contextos, dividindo espaço com elfos e centauros.
- Eu queria compartilhar com as pessoas aquilo que aprendi e o que acredito, mas sem que o livro fosse rotulado como auto-ajuda. Sempre fui fã de “O Senhor dos Anéis” e encontrei na estrutura dessa narrativa um modo de atrair o leitor para a nossa realidade. E o interessante é que num mundo fantasioso tudo pode acontecer, não estamos fadados a seguir um destino incerto ou condenado, basta decidirmos que não queremos assim e trabalhar para que seja diferente - diz o autor.
Para escrever o conto, Thiago levou em consideração a dificuldade que é atrair leitores num país onde o interesse pela literatura ainda está longe de ser um hábito. Apesar do emprego da linguagem culta, o autor prima pela objetividade, suprimindo detalhes desnecessários à historia e influenciando no número de páginas da publicação um facilitador para os que não são considerados adeptos da leitura. Já o suspense da trama garante que o leitor siga a narrativa até o final.
- É muito difícil conseguir a aceitação do público, principalmente quando falamos de um livro nacional. As estantes das livrarias estão repletas de obras de autores internacionais e são essas que têm maior saída. Outra batalha é pela aprovação das editoras, que deixam declarado sua pré-indisposição a novos autores. O Brasil tem um potencial tremendo, é um celeiro de talentos e as pessoas não se dão conta. E um país que não tem fé nele próprio nunca vai pra frente. Nós precisamos aprender a valorizar primeiro a nossa casa - comenta.
PROCESSO - Thiago começou a escrever o livro em 2004, mas devido o compromisso com estágio e o curso de informática não lhe restava tempo para refletir sobre as idéias e menos ainda para trabalhar na redação do conto. Em agosto de 2007, o estudante aproveitou o período de férias para trabalhar no projeto e, depois de um mês puxado, dedicado quase que somente ao livro, a obra foi enfim terminada.
Thiago comenta que das personagens na trama algumas foram inspiradas nas características comuns de conhecidos seus, outras foram adaptadas e as demais, criadas. Participaram voluntariamente nas etapas de finalização, arte, revisão e publicação do livro, a família, os amigos e até mesmo professores do universitário. O irmão de Thiago foi quem financiou a impressão das cópias da obra. Já o amigo Wallace Campos, a quem o livro é dedicado, contribuiu com a ilustração da capa.
Além de aluno dedicado, Thiago sempre gostou de literatura. E foi lendo que ele criou o gosto por escrever. Outra paixão do autor é a sétima arte. Sua primeira experiência com o cinema foi oportunizada por um trabalho de inglês, quando ele ainda era aluno de escola técnica. “Produzimos um filme que era uma sátira no formato do besteirol americano ‘Todo Mundo em Pânico’. Os alunos gostaram tanto que até me concederam um Oscar improvisado como premiação”, lembra.
Editora vai avaliar o material
O jovem autor apostou que após a publicação do livro como produção independente a chance de aceitação de uma editora seria maior. Parece que estava certo. A editora paulista Novo Século se dispôs a receber e avaliar o material. Agora é aguardar. Caso a resposta seja favorável, Thiago Nardini Moura pretende começar a escrever o segundo livro já nos próximos meses. A obra será uma continuação do primeiro livro, que embora tenha um fechamento dá abertura para outras histórias, a serem contadas no mesmo cenário e construídas sob o mesmo contexto.
A pretensão inicial de Thiago é escrever um número de volumes ainda não definidos para compor a coleção denominada “Uma Maré de Contos”. As histórias serão desvinculadas à primeira, que já tem o seu fim, mas seguirão a mesma linha de raciocínio e prosseguirão com o mesmo personagem central, Narguadi, o bardo. Junto com o amigo Wallace, o autor pretende ainda usar da mesma metodologia aplicada em seu primeiro livro para tratar de temas específicos. Outro plano partilhado entre eles é o de produzir quadrinhos. (MT)
Serviço
• Onde Dragões Voam - Produção independente. De Thiago Nardini Moura. Disponível na Livraria Veredas, em Volta Redonda, e no sebo do Mercado Popular, ambos na Vila Santa Cecília. O livro tem 74 páginas e é vendido por R$ 12,00. |
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