|
|
Espaço Aberto A televisão do futuro está chegando
Alta definição vai dominar até o mercado dos DVDs; investimento é alto e por isso a novidade vai entrar aos poucos nas nossas casas Divulgação
 Caro: Custo inicial dos sistemas de tevê digital ainda é alto, por isso vão entrar aos poucos nas casas Jorge Luiz Calife
Está tudo pronto para entrarmos na era da tevê de alta definição. O governo já definiu o sistema que será usado no Brasil, as emissoras já fizeram os primeiros testes e o adaptador já pode ser comprado em várias lojas. Enquanto os primeiros programas vão para o ar, a indústria de DVDs se adapta, lançando os primeiros discos de alta definição. Mas não adianta comprar um adaptador ou um DVD de alta definição para acoplar a um velho aparelho, desses de cinescópio convencional e telinha de 24 polegadas. Sem uma tela razoável, de plasma ou cristal líquido, a tevê de alta definição não existe. O investimento é alto e por isso a novidade vai entrar aos poucos nas nossas casas.
••••••
Como diziam os “borgs”, aqueles andróides de “Jornada nas Estrelas”, “resistir é inútil”. A novidade custa caro, no começo pouca gente tem, mas gradualmente a coisa vai ficando mais acessível e a gente acaba comprando. Com a televisão convencional, analógica, aconteceu a mesma coisa. Eu cheguei a pegar a época do “televizinho”, quando era criança. As tevês em preto e branco eram tão caras que só uma ou duas casas, em cada rua, tinham televisão. E os donos convidavam os vizinhos para assistir às novelas e aos shows da TV Rio em suas casas. Isso foi em 1958, 59, no início do governo JK, mas o Brasil se modernizou rapidamente e logo a novidade estava em todos os lares.
••••••
Em 1964 a figura do “televizinho” já estava quase extinta e todo mundo tinha televisão em casa. Mesmo assim, eu e meus colegas gostávamos de juntar a turma toda e ir ver nossos seriados favoritos na casa de um integrante do grupo. As mães não se importavam e até faziam pipoca para a nossa sessão de cineminha caseiro. Acho que era o medo que juntava aquela turma de crianças de 9, 10 anos de idade. Nossos seriados favoritos como “Quinta Dimensão” e “Perdidos no Espaço” eram cheios de monstros assustadores e acredito que não teríamos coragem de assistir sozinhos aqueles filmes numa sala escura. Mas em grupo o medo era repartido e com uma pipoquinha quentinha dava para encarar “o monstro da nebulosa negra” ou a “criatura do crepúsculo púrpura” sem traumas.
••••••
A televisão só ficou colorida em 1972 e aí já éramos adultos. As primeiras tevês em cores custavam o dobro de um aparelho PB, mas o Brasil vivia uma época de prosperidade, o chamado “milagre brasileiro”, e a novidade se espalhou rapidamente. Eu continuava a gostar de séries de ficção e me lembro que assisti ao episódio de estréia da série “Espaço:1999” em preto e branco, mas no episódio seguinte eu já tinha tevê colorida. O que era essencial para curtir o colorido psicodélico daqueles planetas fantásticos.
••••••
Às vezes é a própria indústria que contribui para conquistar rapidamente o mercado. Quando os primeiros aparelhos de DVD apareceram nas lojas, aí por volta de 1999, eles custavam mais barato do que um aparelho de videocassete ou um televisor. Em coisa de um ano todo mundo já tinha DVD em casa.
••••••
Agora os discos convencionais vão começar a dar lugar aos DVDs de alta definição. Atualmente existem dois sistemas disputando o mercado, o HD-DVD e o Blue Ray. Com o videocassete foi a mesma coisa, no início existiam as fitas VHS e as fitas Betamax, mas no final o VHS prevaleceu. O sistema HD-DVD é apoiado por gigantes da indústria como a Microsoft, a Toshiba e a Intel, mas o Blue-Ray conta com a preferência dos estúdios como a Sony, a Disney, a Fox e a MGM. A diferença entre cada sistema é sua capacidade de armazenagem.
••••••
Um DVD convencional, de camada dupla, armazena 8,5 gigabites de sons e imagens. Já o HD-DVD tem capacidade para 30 gigabites na versão de camada dupla enquanto que o Blue Ray vai além e carrega até 50 gigabites. O que significa que uma temporada inteira de uma série de tevê, que atualmente vem em caixinhas de seis discos, vai caber em apenas dois discos do sistema Blue Ray. E com som estéreo e imagem com qualidade de cinema.
••••••
Com a televisão convencional vai acontecer a mesma coisa. Será possível assistir às cenas das novelas ou dos shows em vários ângulos e até dar um “close” no “strip tease” da Flávia Alessandra. Mas devido ao alto custo, ainda deve levar uns cinco ou seis anos até que os novos sistemas estejam em todos os lares. Atualmente um telão de plasma ou cristal líquido convencional, para televisão analógica, fica em torno de uns R$ 3 mil. Imagine o preço de um equipamento de alta definição.
••••••
O resultado final de toda essa evolução é o videowall, imaginado pelo futurista americano Sydney Mead. O videowall vai transformar toda uma parede da sala de estar numa tela panorâmica tridimensional. Quando você ligar o sistema para assistir ao noticiário das oito terá a sensação de que a parede da sala desapareceu e que o estúdio do canal de notícias está no quarto ao lado. Com os apresentadores, as mesas e o equipamento em tamanho natural. Será possível mudar o ângulo e até ler o “teleprompter” ao lado da apresentadora. E num programa de surfe as ondas virão quebrar nos seus pés, junto do sofá. Mead imagina o videowall virando realidade aí por volta do ano 2020, ou talvez 2030. Até lá a tevê digital vai quebrar o galho.
lazer@diarioon.com.br |
Alto
|